Sobrevive-se

Passa-se uma vida,

tentando entender

o que fizeram, e por quê.

 

Fala-se muito

para pouco fazer

Sem nem mesmo saber

 

Espera-se sempre

algo acontecer

Divino, sem querer

 

E espanta-se até

por desaparecer

o que nunca chegou a pertencer

 

Finge-se do sorriso

ao bem querer

o abraçar, o amar, o não doer

 

Disfarça-se bem,

E se desvia para não ver

Não se deixa perceber

 

Sobrevive-se assim

Sem muito fazer

Sem muito dizer

 

Sobrevive-se assim

Sem muito aprender

Nem, de fato, viver.

 

 


It ain’t your to throw away.

Hoje seria um daqueles dias que eu começaria a arquitetar as melhores frases para dizer tudo.

Ultimamente, era o único dia em que eu dizia alguma coisa. Era apenas o que eu tinha para poder dizer.

 

Como foi que cheguei até aqui?

Eventualmente paro, e me faço essa pergunta.

É complicado, mas, definitivamente eu me trouxe até aqui.

Não tem sido difícil, mas nem por isso é fácil. Aliás, não é fácil. Nem por isso eu dificulto.

Eu evito.

E isso elimina o que não tem mais tanta força para exercer sensações e estimular sentimentos.

É triste.

 

É.

O que me anima é o fato de que, de alguma maneira, não faz diferença.

O que me conforta é o fato de que nunca deixei de desejar bem, querer feliz… Só não preciso estar testemunhando, porque não posso ser motivo e não quero ser plateia.

 

Egoísmo, confesso. Não nego e nem mesmo sinto culpa.

 

Já fui boa e boba o bastante, por todo o tempo que passei pensando, em vésperas.

Agora eu só quero passar longe. Passar bem.

Deixar passar.

É triste.

É onde me encontro agora.

É triste, mas me sinto mais feliz em saber que meus pés me trouxeram até aqui, ainda que eu tivesse parado várias vezes para olhar para trás, querendo voltar.

 

Ainda olho, não vou mentir. Não volto mais.

 

Nem pra dizer parabéns.


Querido diário…

Não tão querido quando é diário.

Tenho pensando um pouco sobre as coisas, e as chaves que eu tenho virado pra trancar algumas portas.

“quando uma pessoa é burra, é burra como uma porta”… Sei lá, tem dias que a noite não ajuda, nem as pessoas, nem a ausência delas.

 

Tem dia que você para pra relembrar, e não sabe muito bem dizer quando foi que começou a história que te fez estar sentada na cama agora, escrevendo e um diário que hoje, de tão pouco pra se dizer, é quase anual.

 

Tem dia que você quer mudar de novo. Talvez, inclusive, voltar alguns passos. Repensar e refazer.

 

Mas não… É só medo de dizer a mesma frase que você costumava dizer para uma velha pessoa, só que para uma nova pessoa, que muito provavelmente não será a certa, e vai te fazer chorar… De novo.

 

É difícil começar, porque dá medo. E você sabe bem.

 

E é ruim, porque você se acostuma a terminar as coisas, até antes delas começarem.

 

É difícil mudar também. Sofrer com o passado, nesse sentido, acaba sendo mais fácil, já que você já sabe e repetir machuca menos.

 

Muito provável que esse seja o segredo do sucesso de uma relação. Uma das partes acaba se acostumando a sofrer.

A verdade é que EU não sei. Tenho medo, e, se não me policiar, repito o mesmo erro… Com as mesmas pessoas.