Sobre os ponteiros do relógio #2

(Passei duas horas procurando um texto antigo que escrevi sabe-se lá quando, e em qual plataforma. Tenho quase certeza de que ele estava completo, com tudo o que gostaria de externalizar. Triste que nem eu nem o Google achamos. Era sobre encontros e desencontros. Sobre os ponteiros do relógio. Era sobre timing, sobre a vida… Enfim…).

Sobre os ponteiros do relógio #2

Penso que minha inspiração está perdida por aí. Provavelmente a terei de novo em algum momento, espero que não muito distante do atual.

Mas, em uma rápida análise rebuscada, é assim que a vida funciona, certo? Não temos, nem vemos – tampouco sentimos – as coisas quando bem queremos. Alguns vão dizer que essa é a graça da vida, outros dirão que é desgraça.

Faço parte do primeiro grupo. Acredito no escrito certo em linhas tortas, jogo toda a responsabilidade no tempo, e nas coincidências do destino – folgada que sou.

E aí, você vai me questionar sobre o livre arbítrio. Acho que em determinado momento – que precisa ser exato, pra ser “exata” -, temos que tomar decisões, fazer renúncias e seguir em frente: voilà, habemus livre arbítrio.

Penso isso quando penso em pessoas. São tantas as que passam pela nossa vida. Algumas são passageiras, outras não. E muitas são “retornáveis”. Elas voltam.

A primeira vez que escrevi sobre os ponteiros do relógio da vida, escrevi para amigos que haviam terminado. Eles se amavam, mas estavam em momentos diferentes. Ainda estão – e acredito que não exista mais possibilidade de voltarem a tic-tac-tear juntos, confesso. Muito tempo passou, éramos todos crianças. E quando paro para pensar e “N” outras situações, vejo que não estava tão errada, só que alguns ponteiros não voltam a se encontrar.

Cada pessoa vive em seu próprio tempo e, quando outras seguem um mesmo ritmo, elas se encontram. Não sei, pode não ser assim.

Não precisa ser sobre ponteiros, pode ser sobre ciclos – soa mais bonito.

Fato é que, em alguns momentos, algumas pessoas se cruzam, se conhecem, se entendem e convivem. Eventualmente, cada uma delas também chega a determinado momento da vida que precisa escolher e renunciar – essa renúncia pode “ser” você.

Não quer dizer que tudo tenha sido em vão, ou que era melhor não ter vivido nada isso.

Não quer dizer que, em algum outro momento, você não “corra o risco” de cruzar com essa pessoa, de novo. Cabe a você, então, escolher conhecer, entender e conviver mais uma vez – se for o caso, porque muitas vezes, faz parte do caminho de ambos o reencontro, mas é só uma questão de passar.

Entendo hoje que, além dessas situações, às vezes, você pode ainda desempenhar um papel de observador. Pode ser que o momento de estar em determinada situação seja de outra pessoa. E ainda assim, a decisão de ser platéia é sua – triste é a parte em que a opção de não ser platéia se torna automaticamente uma renúncia.

A vida é complicada se analisar com calma.

São sempre pessoas, nunca coisas. Lidar com coisas é mais fácil, sempre foi.

Anúncios


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s